quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A CULTURA POPULAR NO CONTEXTO DRAMATÚRGICO DE ARIANO SUASSUNA: FARSA DA BOA PREGUIÇA




1. Introdução
Dentro do universo dramatúrgico brasileiro, o teatro de Ariano Suassuna se diferencia pelo seu modo único de criação, o que o reveste de singular originalidade. Em sua obra, o autor mobiliza a literatura popular do Nordeste brasileiro, em associação à literatura que chamamos de “erudita”, passando, ainda, pelo modelo do teatro popular de Gil Vicente. Suassuna transforma paradigmas, manipula e reformula padrões formais e culturais da arte literária, favorecendo o desenvolvimento de um espaço semiótico poderoso dentro da dramaturgia brasileira. Suas obras exploraram uma estética que possibilita uma inovação ímpar dos elementos teatrais.
A literatura popular brasileira tem suas raízes na integração das culturas européia, africana e indígena, que se encontraram no Brasil, no período da colonização e aqui formaram, por meio da miscigenação, o povo brasileiro. Simbolizado pelo mestiço, portanto, o nosso povo caracterizou-se pela mistura de etnias e de costumes.
Na obra de Ariano Suassuna, é nítida a presença da literatura popular, fazendo uma crítica à sociedade e ao catolicismo com uma ampla visão das realidades que envolvem o interior do homem.
Na Farsa da Boa Preguiça (1964), o autor trabalha com a questão do herói e do mito para poder desenvolver toda a trama dramática e suas oposições, como: o bem e o mal; o dia e a noite; Deus e o Diabo; o trabalho e a preguiça.
Por meio do personagem Joaquim Simão, que é um poeta, Suassuna mostra a possibilidade de comunhão entre o trabalho escravo e o criador. O trabalho artístico, nesse caso, é associado à preguiça. O personagem de Aderaldo Catacão – o rico empresário –, por sua vez, ilustra o lado capitalista e burguês da sociedade. Desse modo, a peça se divide em dois Brasis: o do povo e o da burguesia.
Todos os personagens, ao seu modo, são caracterizados por uma brasilidade que é muito presente na obra de Suassuna. Para o autor, a preguiça do poeta Simão, por exemplo, é uma “preguiça do bem”, capaz de transformar a realidade por meio da arte.
Ao apresentar tipos brasileiros demarcados por suas diferenças sociais e de comportamento, Suassuna declara ter pensado, intencionalmente, em atingir o senso comum a respeito do nosso “grande Povo”:
Mas de qualquer modo, não me arrependo de ter feito a distinção sem sutilezas e sem marcar ”horrorosas exceções”. Isso era necessário, porque um dos chavões de que a classe burguesa urbana mais se vale, no Brasil, para falar mal do grande Povo, é o da preguiça e da ladroeira. (SUASSUNA, 1964: 24).

Ariano Suassuna defende a brasilidade e os “gritos nordestinos” em seus trabalhos e, evidentemente, sempre reforça que o cordel é a nossa legítima “Literatura Popular Brasileira”.

2. A LITERATURA POPULAR NO NORDESTE E A “PREGUIÇA” DO POVO BRASILEIRO
A Farsa da Boa Preguiça, como outras obras do autor, foi escrita com base em histórias populares nordestinas e levanta um irreverente questionamento a respeito da preguiça do brasileiro, a partir de elementos da cultura e da religiosidade nacional.
A realidade brasileira entrou em choque com a realidade européia quando os estrangeiros aqui chegaram. Deparando-se com o modo de vida dos povos indígenas que aqui habitavam, achavam estar diante de um povo desprovido de sorte, inocente, sem noção nenhuma de civilidade e pecado, ou seja, para os europeus nossos antepassados indígenas eram pecadores “vadios”, que só serviam para ser utilizados como mão-de-obra escrava. Isso quer dizer que o aborígene foi o primeiro brasileiro a ser conhecido como “preguiçoso”.
O Brasil, desde o início da colonização, traz a marca de ser composto por um povo que “não gosta de trabalhar”, que “vive de festa”, sol, mar e uma rede para descansar. A partir da preconceituosa construção dessa imagem, baseada na visão européia do índio e da mestiçagem, muitos relatos apresentam o nosso povo como um “povo preguiçoso”. A peça de Ariano Suassuna, que aqui nos interessa, também dialoga com este construto, que se perpetuou durante séculos.
O primeiro ato da peça é criado com base numa história tradicional de mamulengo. O segundo ato faz referência a uma tradicional história popular, de um macaco que perde o que ganhara após várias trocas. O terceiro ato, por sua vez, inspira-se no conto popular de “São Pedro e o queijo”.
Na “Licença” da Farsa, numa das estrofes finais do terceiro ato, um dos personagens diz:

Há uma Preguiça com asas,
outra com chifres e rabo.
Há uma preguiça de Deus
e outra do Diabo.
(SUASSUNA, 1964: 334)

O trecho revela, claramente, um questionamento do conceito de preguiça, como pecado original. Para além do simples questionamento, Suassuna demonstrará, no simulacro humano do seu teatro, em que medida a preguiça é atribuída como “defeito” do pobre e “direito” do rico ou do burguês.
Com efeito, a obra não retrata apenas a preguiça, mas, de um modo geral, a realidade da burguesia e suas peculiaridades dentro da estrutura social brasileira. Através dos personagens, fazem-se ligações com figuras do mundo real, escancarando a hipocrisia, os falsos conceitos moralistas e os egocentrismos da sociedade. Essas associações são declaradas por Ariano Suassuna, no ensaio “A farsa e a preguiça brasileira”, que serve de prefácio à peça:
Não é de admirar, porém. Esse é o Brasil oposto ao dos Cantadores, dos vaqueiros, dos Camponeses e dos pescadores. É o Brasil superposto da burguesia cosmopolita, castrado, sem-vergonha e superficial, simbolizado, na Farsa da Boa Preguiça, pelo ricaço Aderaldo Catacão e por sua mulher, a falsa intelectual Dona Clarabela, que fala difícil, comparece às crônicas sociais, coleciona santos e móveis antigos, mantém um “salão”, e discute problemas de “arte formal”. (SUASSUNA, 1964: 23)

Trata-se de um Brasil representando por um povo que incorpora em sua cultura um amplo universo de ideologias e crenças, montando um painel que nos conduz a inúmeras maneiras de entender a estrutura social e cultural do brasileiro.
Simão
Besteira, mulher, oxente!
Eu começo a fazer força
e o que é que eu vou arranjar?
Pra morrer de pobre, o que eu tenho já dá!
E sabe do que mais, Nevinha? Não atrapalhe não,
que eu estou pensando em fazer um folheto arretado!
Quer saber a idéia? É sobre uma gata que pariu um cachorro!
Vai ser tão engraçado!
Ninguém sabe o que foi que houve,
todo mundo está esperado o parto, o gato é o mais nervoso!
No dia, quando a gata pare, em vez de gato é cachorro!
Já pensou na raiva do gato, na surpresa, na confusão?
Que acha? Parece que já estou vendo a capa
e escrito nela: “Romance da Gata que Pariu um Cachorro.
Autor: Joaquim Simão”!
Vou vender tanto folheto, vou ganhar tanto dinheiro!
É coisa para garantir a bolacha dos meninos
para o resto da vida! Que acha?
(SUASSUNA, 1964: 72)

Como podemos perceber nessa fala, Simão inventa, de improviso, um enredo para uma narrativa de cordel, que está ainda na oralidade e que caracteriza uma maneira de construir a literatura através do universo popular lidando com o imaginário, o fantástico e o improvável.
Por meio da personagem Clarabela Catacão, Suassuna traz a representação da linguagem culta de uma mulher intelectualizada para fazer crítica à classe média, mostrando o quanto tal segmento da sociedade pode estar imerso na alienação, a ponto de perder a noção realidade vivida pela maioria dos brasileiros pertencentes a outros segmentos sociais.
Ah, o campo! O Sertão! Que pureza!
Como tudo isso é puro e forte!
Esse cheiro de bosta de boi, que beleza!
A alma da gente fica lavada!
As bolinhas do cabrito, o canto das jurutis,
o cocô dos cavalos, o cheiro dos roçados.
A água pura e limpinha
e esse maravilhoso perfume de chinica de galinha!
Ah, a vida pura! Ah, a vida renova!
A catinga dos bodes, como é forte e escura!
E a trombeta dos jumentos, como é fálica, vibrante e animada!
Ah,o campo! A alma da gente fica lavada!
A vida primitiva em todo o seu sentido!
Dá até vontade de ir à igreja, de se confessar,
de fazer a sagrada comunhão
mesmo sem acreditar nela!
Dá vontade até de não chifrar mais o marido,
Só para não nos sentirmos tão puras quanto o sertão!
(SUASSUNA, 1964: 80)

Nesse trecho, existem várias críticas sendo uma delas social e a outra aos conceitos religiosos da igreja católica. Na visão burguesa de Clarabela, o que há de mais elementar da vida no campo é ridicularizado pelo seu “deslumbre”.
Suassuna usa a linguagem de cordel, poética e rimada, para dar vida aos versos cantados por seus personagens e, através das falas simples, consegue passar com clareza os significados das críticas à sociedade em que vivemos.

Simão Pedro
Sim, mas é de pobreza, não é, Senhor?
Miséria, faz mal, e muito!
Não quero que Simão seja rico, quero somente
que, com o que ele escreve, ganha o suficiente!
O homem é casado e tem quatro filhos:
vive, tudo, nem sei como!
(SUASSUNA, 1964: 135)

Os personagens Andreza, Fedegozo e QuebraPedra representam as forças do mal que travam um duelo com Miguel Arcanjo, Simão Pedro e Manuel, o carpinteiro (Jesus), que representam as forças do bem. Nesse conflito há, portanto, uma interação entre os planos terrestre e celestial.

Fedegoso
Esse já está lascado!
Está sendo levado agora mesmo,
com Clarabela,
para o Poço do Pau-com-Pau,
o lugar mais fedorento do inferno!
E você vai também,
porque foi amante dela!
Simão
Eu fui, mas me arrependi!
Fedegoso
Mas vai! Vai na mesma carrada!
Simão
Vou nada!
Fedegoso
Vai, e sua mulher vai também!
Simão
Agora é que eu sei que não vou mesmo!
Eu, inda podia ser, mas Nevinha?
Não pode ir de jeito nenhum!
Se a Nevinha for pro Inferno,
É de vez que o inferno cai!
(SUASSUNA, 1964: 314, 315)

Nesse trecho da obra, no qual o mal se materializa diante dos personagens, o autor mostra, através do diálogo sobre Nevinha, um dos falsos atributos morais que a mulher, diante dos conceitos religiosos, deve ter como dona de casa e mãe dedicada a fim de alcançar seu lugar garantido nos céus.
Os personagens que representam os diabos e os santos são os que mais carregam as características da dramaturgia “farsesca”, explorada na obra por Suassuna.
Em outro trecho da obra, o autor coloca a integridade de Nevinha à prova, através da tentação de Andreza que tenta atraí-la para Aderaldo, expondo toda a riqueza e o conforto que ele pode oferecer, ao contrário de Simão, que nada tem além dos seus versos e o seu amor.
Andreza
Comadre, deixe de ilusão!
Você não está vendo que aquelas besteiras
que Joaquim Simão faz não vale nada?
Tudo isso, foi coisa arranjada!
Foi Seu Aderaldo que arranjou, para agradar você!
Foi tudo pra ver se você via duas pernas
Um bucho e um pescoço de agrado nele.
Se você não facilita esta perdida a caçada:
você e Joaquim Simão terminam ficando sem nada!
(SUASSUNA, 1964: 62)

Os personagens Clarabela, Aderaldo, Nevinha e Simão são os responsáveis pelo conflito central no qual se busca descobrir qual é o verdadeiro sentido da peça. A preguiça de Simão torna-se uma preguiça necessária para que o poeta possa criar seus versos com harmonia e naturalidade e, implicitamente, para livrar o oprimido do ardor do trabalho insano. Porém, a conduta do rico Aderaldo transforma o trabalho em algo que escraviza e consome a alma humana. Fica a indagação: vale mais o ócio criador, ou o trabalho mecanizado?
Percebemos ser esta uma das grandes questões a serem discutidas na obra Farsa da Boa Preguiça.

2.1. GENÊRO FARSA
Dentro dos aspectos do gênero dramatúrgico chamado de farsa, os personagens possuem uma ligação com as questões humanas mais grotescas, aproximando o homem dos seus desejos mais condenáveis pela moral e pela ética social.
Costuma-se dizer que a farsa trabalha o “baixo ventre”, o que significa os desejos da carne e da matéria.
A farsa, além de tudo, atende aos preceitos do gênero cômico, desde Aristóteles: traz para próximo do público aquilo que o mundo tenta esconder e expõem a crueza e instintividade do homem para o próprio homem.
Por meio da farsa, vários dramaturgos dialogaram e dialogam de forma burlesca com a sociedade, sem se prender muito a padrões e valores.

2.2. DE GERAÇÃO PARA GERAÇÃO
Percebe-se, na obra, a importância que as oposições têm na vida do homem e na sociedade. Suassuna retrata as várias oposições, como o bem e o mal e a riqueza e a pobreza, numa linguagem popular que nos aproxima dos antigos contadores de histórias, das cantigas de roda e das narrações de caboclos, entre outros. Esse repertório também nos aproxima das condições de transmissão da literatura folclórica pela oralidade, de geração para geração, eternizando o universo popular como uma rica e singular forma de cultura, vinda das entranhas de um povo formado por vários povos, o Brasil.
As questões literárias e principalmente dramatúrgicas sempre ocuparam um espaço significativo dentro da construção da sociedade e é através dessas questões que podemos refletir sobre tudo aquilo que nos aflige ou agrada.
A dramaturgia brasileira teve uma fase de esquecimento devido ao período de repressão vivido pela ditadura. Suassuna viveu essa realidade e não deixou de transpor para as suas obras dramatúrgicas tudo aquilo que tinha vontade de dizer.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Temos, representada na obra Farsa da Boa Preguiça, a sociedade de um modo geral: a burguesia, a classe intelectual, os pobres e os artistas, que transitam entre ideais morais e materiais, resgatando o homem de uma longa jornada de crenças e conflitos interiores sociais e religiosos. Nesse sentido, a igreja católica ganha maior foco, talvez por ser a religião mais popular no Brasil e a mais alegórica de que se tenha conhecimento.
A literatura popular tão importante em toda história da humanidade, registrando a trajetória dos povos que transitam e constroem tantas formas de cultura e conhecimento, fez-se presente na peça e foi aproveitada de forma consciente por Ariano Suassuna: como uma legítima homenagem à brasilidade.
A preguiça deixa de ser um pecado capital para se tornar parte fundamental do processo de criação da cultura e da arte, ou seja, o ócio é o combustível que move as grandes transformações do homem historicamente excluído dentro da sociedade brasileira.
Agradecimentos
Este artigo teve como inspiração nosso povo que nos presenteia e enriquece com sua imensa pluralidade de crenças e estórias que são carregadas por séculos por uma cultura popular que não pode deixar de existir, pois é a essência da nossa gente.
Agradecemos a oportunidade de poder degustar, dentre as grandes produções de Ariano Suassuna, a obra Farsa da Boa Preguiça.
Nossos agradecimentos se estendem, também, aos que colaboraram para a elaboração deste trabalho e para a finalização do curso de Letras.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BEZZON, Lara Crivelaro; CRIVELARO, Lana Paula; MIOTTO, Luciana Bernardo. Manual para Elaboração de Trabalhos Acadêmicos. Edição Especial: Alínea, 2009. 76p.

CASCUDO, Luís da Camara. Literatura Oral no Brasil. 3ª ed. São Paulo: Itatiaia Limitada, 1978. 435p.

HOLANDA, Sergio Buarque de. Raízes do Brasil. 3ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. 224p.

LUYTEN, Joseph M. O que é Literatura Oral Popular. 4ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1987. 73p.

OLIVEIRA, Elinês de Av. e. Ariano Suassuna. Disponivel em
http://www.puc.br/pos/cos/%20cultura/suassuna.htm. Acesso em: 28 nov. 2009.

RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro: A formação e o sentido do Brasil. 2º ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. 440p.

SOARES, Angélica. Gêneros Literários. 6ª ed. São Paulo: Ática, 2006. 85p.

SUASSUNA, Ariano. Farsa da Boa Preguiça. 6ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2008. 334p.
Cristina dos Santos Brandão
Graduada em Letras – Habilitação em Português e Inglês, pela Faculdade Anhanguera de Indaiatuba – SP.
Juliana Paloma Dourado Daniel
Graduada em Letras – Habilitação em Português e Inglês, pela Faculdade Anhanguera de Indaiatuba – SP.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

ADEMAR GUERRA...
















Nos dias 31/10; 01/11 e 02/11 nós do GRUPO DE TEATRO ESTRADA e mais vários outros grupos de todo o Estado de São Paulo se reuniram cada um em sua cidade para discutir e avaliar todo esse processo realizado junto com os orientadores do Ademar Guerra nesse período de 2009.


Foram três dias intensos de descobertas que nos mostraram o quanto é importante se ter em mãos o poder da criação artística, com o qual podemos desvendar o desconhecido e trazer para a vida e para a sociedade universos distintos onde o homem é o protagonista.


Tivemos a visita de Paulo Faria ( coordenador pedagógico da nossa região no projeto) no nosso primeiro dia do encontro e ele com sua experiência pode nos ajudar a entender os caminhos de um novo estilo de trabalho.


Como diz meu amigo e diretor de teatro Marcos Brytto: Que se faça luz e a arte supere toda dor e toda perda!


Como falar de teatro sem falar de ação e renascimento?


Tudo se transforma e essa nova fase do ESTRADA está acontecendo em um momento riquissímo para todos os seus integrantes, um momento de busca pela própria identidade artística.


Temos um longo caminho percorrido e um infinito ainda para percorrer, mas o que realmente é valioso em tudo isso é a força que temos para vencer e crescer com cada experiência que vivemos.


"A FARSA DO MENTIROSO" não é simplesmente mais um espetáculo é um grande e desafiador momento de criação e construção artística para todo o grupo.


O Ademar Guerra faz parte dessa nossa trajetória desde 2001 e esse ano reformulado e com novos objetivos para os grupos selecionados, nos fez reformular também o nosso modo de ver o fazer teatral.

Que os Deuses do teatro nos abençoe!!!!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O PRAZER DE VER O DRAMATURGO VOLTAR A TER SEU ESPAÇO




Não é fácil fazer teatro e muito menos escrever uma peça teatral. A minha participação no "CICLO DE DRAMATURGIA DO SESI BRITISH COUNCIL", no dia 26/10/09, fez com que eu amasse mais ainda essa arte tão maravilhosa e que tanto tem para nos oferecer.


Marici Salomão com toda a sua gama de conhecimentos nos abre um leque imenso diante de tantas dificuldades. A importância da "retomada da palavra" do dramaturgo é um acontecimento necessário para a nossa sociedade. É possível vencer as barreiras que nos separaram por décadas de uma dramaturgia mais enraizada na nossa realidade e na vida do povo brasileiro. Isso exige estudo, paciência e trabalho. Mas principalmente, devemos saber quem somos. O que queremos contar? Para que e para quem queremos contar? E como contar?


O texto dramatúrgico é ação e a dramatugia deve ampliar o campo do teatro, a linguagem deve ser elevada, percebendo que tudo o que nos rodeia tem um significado que vai além e faz uma ponte com algo mais profundo.


A vida representada nas linhas de um texto se transforma nas mãos de atores e diretores em um palco multicolorido de idéias e desafios. Isso é a magia da dramaturgia!


Ousar, desafiar, surpreender, descobrir e ir até onde ninguém nunca foi.


As palavras ditas por Roberto Alvim me ajudaram a refletir sobre a seriedade de criar uma obra de arte como o texto teatral.


"Não fazemos barras de chocolate, fazemos arte, não existem receitas e nem fórmulas. Temos que fazer com que o espetáculo se comunique com a platéia."


A dramaturgia deve voltar a ter o papel de quem reflete sobre a sociedade e se fazer ouvir novamente. Temos um ensino defasado e desmotivado no trabalho com a literatura e principalmente no conhecimento de textos teatrais que foram sufocados pelo tempo.


Espero que esse tipo de trabalho com a dramaturgia se multiplique e alcance longe no horizonte. A arte refletida é a arte que transforma e faz história. Não existe transformação sem estudo, luta e principalmente amor.


E lembrar que ser dramaturgo é ter o conhecimento de mundo em uma página em branco que ele vai aprender a colorir.


Parabéns para todos do Núcleo de Dramaturgia do Sesi British Council.

sábado, 17 de outubro de 2009

O SERTÃO UM NOVO DESAFIO (TEATRO-AÇÃO-DRAMATURGO)


O novo trabalho desenvolvido pelo GRUPO DE TEATRO ESTRADA com o apoio do Projeto Adermar Guerra se foca no universo do nosso sertão nordestino.

Os mistérios e as características desse povo vem sendo pesquisadas pelos grupo desde janeiro. O texto inicial sofreu várias alterações e o uso do CANOVACCIO e suas improvisações, fez com que desenvolvêssemos uma batalha diante desse trabalho que se tornou nosso grande desafio.

O orientador do Ademar Guerra desse ano Antônio Salvador já trabalhou com o universo nordestino em peças como TAUROMAQUIA da CIA DE TEATRO BALAGAN. Seu conhecimento teórico trouxe muitas questões de reflexão para o grupo que passa por um processo de criação bastante difícil e rico.

O projeto com a nova peça envolve muito trabalho e tempo, somos persistentes em tudo que fazemos e de longe esse está sendo o nosso maior desafio nesses 13 anos de existência como grupo.

Nos dias 31/10; 01/11 e 02/11 estaremos fazendo uma exposição desse processo de criação e no dia 02/11 será aberto também ao público que poderá compartilhar das nossas descobertas e expectativas diante de um trabalho tão compensador e também cheio de dor e dúvidas e é isso que o torna mais interessante.

A minha participação como diretora e dramaturga me faz refletir muito sobre a falta de apoio para se fazer teatro em nosso país. Não é fácil desenvolver um trabalho artístico sem poder viver dessa arte, são poucos os artistas que conseguem esse apoio para o seu projeto e o dramaturgo ainda está longe de conseguir esse incentivo infelizmente. Existem alguns projetos de formação desses profissionais que estão mudando um pouco essa realidade. O NÚCLEO DE DRAMATURGIA DO SESI BRITISH COUNCIL, coordenado por Marici Salomão, que é um dos grandes nomes da dramaturgia atual e que já trabalhou com nomes como Antunes Filho e Luís Alberto de Abreu. Esse projeto abre um grande leque para novos dramaturgos e voltamos a dar valor ao profissional que faz do texto AÇÃO para ser colocada no palco de tantos teatros, por milhares de atores que se arriscam na jornada da arte teatral tão rica e poderosa para a sociedade.
A voz do artista chega em qualquer lugar, seja em forma de texto, teatro, música, escultura, não importa nós chegamos sem medo e isso faz da arte a maior arma que o um povo pode ter.

Enfim, que se faça a luz no nosso SERTÃO e que esse espetáculo abra um novo ciclo de grandes descobertas para o grupo e seu público que é muito amado por nós, afinal sem a o nosso público não teríamos chegado até aqui.
Abraços para todos!


sexta-feira, 16 de outubro de 2009

FESTIR- FESTIVAL DE TEATRO DE INDAIATUBA


O FESTIR tem sua 5ª edição à partir do dia 21/10/09 até dia 01/11/09 é com grande luta e dedicação que o organizador Marcelo Rosa consegue mais um ano realizar esse festival que se divide nas categorias amador e escolar. O objetivo é levar para perto dos alunos o universo do teatro e aproximar os grupos de teatro da região num evento que busca a difusão da cultura.


O festival conta com os grupos :


Dia 21/10


CIA VALEU A PENA ( Escola José de Campos) " O Gato de Botas" Direção Bbeth Fiorini;


Dia 22/10


S.T.A.C.A-produções: "Nossas Cadeiras" Direção Marcelo Sanntto


Dia 23/10


GRUPO DE TEATRO ESTRADA: " Perdidos" (Dois perdidos numa noite suja- de Plínio Marcos)Direção Paloma Dourado;


Dia 24/10


CIA AMADORES DE TEATRO: " O Panaca" Direção Yara de Napoli;


Dia 25/10


CIA CUPIM DE TEATRO: " Uma mulher vestida de sol" Direção Alice Possani;


Dia 28/10


COLÉGIO ESCALA: "Ploc, a Borboleta mais linda que eu já vi" Direção Bárbara Gaschler;


Dia 29/10


COLÉGIO ESCALA: " Sonho de uma noite de verão" Direção Bárbara Gashler;


Dia 30/10


CIA TEATRAL MATÉRIA PRIMA: "O Santo e a Porca" Direção Gere Canova;


Dia 31/10


CIA ENCENA AMERICANA: "Sequestro" Direção Isaías Brugnerotto;


Dia 01/11


Peça convidada com a participação da grande atriz Bete Bastos e direção de Jorge Fantini da SIA SANTA: "Aniversário de Casamento"


Todas as peças as 20:00h no TEATRO DECO 20 em Indaiatuba.


Ingressos: R$4,00 e um litro de leite ou uma lata de leite em pó.


Espero que muitas pessoas possam prestigiar a nossa cultura e esses artistas que tanto lutam por um espaço onde possam levar a sua arte.
Um ótimo espetáculo para todos!

ISABELLA TAVIANI


Na noite de ontem, dia 15/10/09, tive o prazer de participar de um pocket show da Isabella Taviani na livraria Saraiva em Campinas.

Uma voz admirável e uma simpatia inigualável, com muito carinho atendeu a todos os presentes, autografou os cds, tirou fotos e ainda teve muito bom humor com seus fãs.

Isabella está lançando seu novo cd "MEU CORAÇÃO NÃO QUER VIVER BATENDO DEVAGAR", um excelente trabalho como ela já está acostumada a fazer.

O Brasil realmente é abençoado por artistas dignos de muitos aplausos, a Isabella tem um carísma e um talento que faz com que todos que conheçam seu trabalho se sintam privilegiados.

Energia positiva para essa grande artista é o que não falta e nós seus fãs nos contagiamos com tanta luz.

ANA CAROLINA -- NOVE



As novas músicas da Ana Carolina são dignas realmente de uma artista tão eclética e completa como ela. A preocupação com cada uma delas nos da um enorme prazer ao ouvi-las, pois sabemos que foi um trabalho feito com o amor e o carinho de quem quer mostrar ao seu público sempre o melhor.
A música "ERA" é uma verdadeira obra prima, com suas metáforas e seu instrumental perfeito, algo que arrepia e emociona a todos que amam a boa música. E a Ana Carolina é uma das grandes representante dessa categoria nos dias atuais.
A jovialidade representada pela música "TÁ RINDO É!" trás uma alegria gostosa diante do cotidiano desgastante. Sem esquecer da música "RESTA" que junto com Chiara Civello a Ana literalmente nos tira o fôlego e faz o coração disparar. A melodia perfeita casa com as vozes que transformam a letra em um hino de amor verdadeiro.
Sua parceria com Antônio Villeroy sempre foi um presente para todos nós e mais uma vez eles acertaram em cheio na composição da música "ENTREOLHARES" que fizeram com John Legend, o ritmo completa a letra leve e agradável.
A minha admiração pelo seu trabalho vem desde de que ela começou com seus shows intimistas, conheci suas músicas através de amigos que tiveram a chance de vê-la tocar em barzinhos e para um público pequeno. A sua verdade tocava fundo quem tinha a oportunidade de ouvir sua voz singular.
Espero ansiosamente pelo seu novo e surpreendente show, esperemos que mais uma vez seja feita a justiça e ela supere todas as expectativas.
O que é bom tem que ser dito e apreciado, então não deixem de ouvir o "NOVE" e se sentir envolvido pela música dessa grande cantora e compositora chamada ANA CAROLINA.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

A CULTURA POPULAR


Falar sobre a Cultura Popular não é algo fácil, mas muito gratificante.
Quando encontramos as nossas raizes, notamos o quanto a sociedade é frágil em sua atual corrida pela conquista material.
Existem tantas riquezas escondidas em uma simples fábula de cordel.
São vários os segredos que a Cultura Popular e a Literatura Oral escondem por tantos séculos de um Brasil conquistado e explorado.
Um grande mestre nesse asunto é o Luis da Camara Cascudo, que se dedicou a pesquisa desse universo popular.
A música tem uma influência maravilhosa da Cultura Popular e o resultado disso são os nossos artistas, com qualidades singulares cheias de uma verdade brasileira, miscigenada, colorida e preciosa.

A nossa cultura tem na sua essência a vontade de dizer aquilo que sente e vive.
Quanto maior a divisão de classes sociais em uma sociedade, mais forte é a manifestação da Cultura Popular.
A história do povo é escrita através dos seus sonhos e lutas.
E nós somos um povo que sabe sonhar e lutar sem medo.

sábado, 12 de setembro de 2009

CAMINHO DE PEDRAS...


Venho trabalhando com o GRUPO DE TEATRO ESTRADA, na cidade de Indaiatuba desde 1996 e cada ano é uma nova etapa.
Muitas pessoas acreditam que o fazer teatro é o simples ato de decorar um texto e subir no palco, mera ilusão. Existe um caminho cheio de pedras para se conquistar um bom trabalho, não existem apenas flores.
A leitura é a grande aliada do ator e sem o ato de ler e procurar conhecer o que está fazendo o ator se torna frágil e sem bagagem para trabalhar. Torna-se um repetitivo rádio que diz as palavras no mesmo tom e sem a vida que é necessária para a sua interpretação.
Procuro despertar nos atores essa vontade de aprender e sei que muitas vezes eles acham que não é necessário, alguns se consideram "prontos" e são muitas vezes os mais inseguros na hora de desenvolver o trabalho. Conheço um ator que estuda e aquele que engana, aquele que engana nunca está seguro, diferente daquele que busca e sabe que pode numa pequena frase transmitir vida.
O simples fato de trabalhar com teatro já é uma tarefa que merece aplausos, não é fácil desenvolver arte no nosso país quando estamos fora dos pólos centrais. Precisamos de muito mais ânimo e dedicação para conquistar o respeito e a aceitação.
Admiro quem não deixa de acreditar em horizontes sempre mais distantes, pois a luta é díficil, mas necessária para quem quer realmente ser considerado um vitorioso.
Vitorioso é aquele que sabe ser capaz de realizar com consciência aquilo que se dispôs fazer e aceitar que tudo que é novo exige esforço e nos causa medo.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Novas descobertas...


É importante que o artista esteja aberto para novas descobertas e que não se torne um ser humano limitado em suas próprias crenças.
O mais belo se encontra muitas vezes no nosso mais profundo horror.
Na hora que me debruço diante de um novo texto dramaturgico, me deparo com milhões de questões humanas e animais, pois somos sim, esse misto de razão e instinto que move a vida.
A técnica é uma grande aliada nessa hora de dúvida, mas muitas vezes é também um obstáculo para a criação de um novo texto. Temos que encontrar um ponto de equilibrio para conseguir realizar um bom trabalho.
A palavra no texto dramaturgico é ação e reação, ela não tem sentido se não causar esse impulso interativo no ator e no público. É o texto feito para ser encenado e não apenas lido.
Encontramos diversas maneiras para recriar o nosso mundo no palco e isso exige esforço, trabalho e dedicação, não apenas talento.
Quando conseguimos como autores visualizar a cena a ser escrita com riqueza de detalhes, se torna mais fácil o sucesso cênico da mesma, pois conseguimos transformar em palavras as ações. e assim se torna fácil transpor as ações para o palco.
Os diálogos devem conter a inconstância da personalidade humana, com suas alterações e surpresas, tentar fugir do caricato e dar ao personagem características que o torne único. Assim como nós homens somos seres únicos o personagem também deve ser.
É com satisfação que devemos nos entregar a arte de criar, correndo atrás do que é melhor e dando a sociedade um contribuição positiva, se preocupando com o que nossa arte pode oferecer para a humanidade.
O artista é o grande trabalhador da última hora, ele sempre acredita na sua criação e muitas vezes não pede nada em troca. Mas devemos ter a responsabilidade de saber o que estamos fazendo para que possamos ser respeitados.

domingo, 6 de setembro de 2009

O QUE BUSCAMOS NA ARTE?


Buscamos na arte as respostas para as nossas angústias interiores, seja na música, no teatro, na dança ou artes plásticas, descobrimos vários universos que se escondem dentro de nós.

Nos comunicamos com o mundo externo e transformamos o nosso mundo interno, cada criação nos faz purgar diversos medos e conquistar uma nova visão da realidade, transformamos a vida através da arte.

E o que mais buscamos na arte?

Descobrir os mistérios que envolvem a nossa existência como seres humanos conscientes e sociais de um mundo que está sempre em transição e conflito. E é esse conflito contínuo que move o homem na sua criação artística.
A humanidade tem um registro artístico de toda a sua história, desde os primórdios o homem tem essa necessidade criadora que mantém a sua memória social perpetuada.

A arte é a nossa eterna busca por uma identidade.